sábado, 27 de dezembro de 2008

DÍVIDA DE JOGO E PERSPECTIVAS

Esse é o problema: faltam projetos capazes de render. Produzir o quê?
Na teoria, atender às necessidades do mundo deveria render alguma coisa; o empreendedor obteria sua renda vendendo soluções para as necessidades das pessoas. É uma lógica simples: se o mundo quer automóveis, então as fábricas produzem - e lucram - com a venda de automóveis. E puderam lucrar; hoje não podem mais.
Acontece que as necessidades maiores que temos agora são de natureza pública, como segurança, educação, meio ambiente... Que mercado pagará para evitar o desmatamento da Amazônia?
Abarrotados de dinheiro, mas encurralados, os investidores ficam nervosos porque as perspectivas de lucro praticamente sumiram. Salvar a Amazônia não dá lucro.
Uma competição feroz fez os lucros das empresas diminuírem. A GM e a Toyota, por exemplo, esgotaram-se mutuamente. Em situação parecida, outras empresas, não havendo coisa melhor a fazer, fundiram-se. O supermercado daqui foi comprado por outro maior; assim deixaram de competir entre si e ganharam tamanho, para enfrentar outros gigantes. E o banco menor uniu-se ao maior. Concentra-se a produção. Mas, mesmo assim, os lucros continuam a diminuir, cada vez mais.
Então, o capital, cheio de si mesmo, apelou para uma lei superior, aplicável a qualquer jogo: a lei que diz que “Os lucros são proporcionais aos riscos”. Se o lucro é insuficiente, sempre haverá uma saída: arriscar mais. E assim o mundo virou um cassino em que a sorte passou a ser a única esperança de lucro...
O débito - esse que o governo americano agora ajuda a resgatar - resgata isso: dívida de jogo. Havendo o Tesouro pago suas dívidas, os jogadores farão o quê? Com o dinheiro do contribuinte, investirão onde?

sábado, 13 de dezembro de 2008

QUERENDO CRESCER SEMPRE

Dinheiro não falta; os governos têm imprimido e liberado dinheiro como nunca. Mas o dinheiro não circula, acaba voltando para os governos ou trancado nos cofres. Por quê?
Porque falta crédito. Há dinheiro, mas falta crédito. Em outras palavras, ninguém acredita. Falta confiança. Confiança em quê?
Confiança em que haverá renda. O consumidor não compra porque tem medo de que falte dinheiro no futuro. O investidor não se dispõe a investir porque acha que não vai ver a cor do dinheiro de volta, muito menos os rendimentos. Pensam assim porque olham em volta e vêem cada vez menos empregos, menos atividades dando lucro.
Ainda não nos demos conta de que já temos tecnologia para obter produção com pouquíssima gente trabalhando; que as máquinas finalmente podem trabalhar em lugar do homem. O sistema não assimilou isso. O setor de serviços, último reduto do emprego maciço, vai sendo devastado pela evolução da Internet e da tecnologia da informação. A tendência no mundo é que a renda caia mesmo. Um mundo que acha que emprego é “bom” não está preparado para a evolução da tecnologia.
A lógica “emprego é bom, crescimento é bom”, precisa ser revista. Um mundo que acha que “crescimento” é bom, vai crescendo sempre e acaba não cabendo no mundo real.

sábado, 22 de novembro de 2008

POR CONTA DA ÉTICA

Em algumas atividades o sujeito não escapa de um conflito ético latente: joga contra, mas secretamente torce a favor. Luta contra o inimigo, mas, afinal, depende dele. Um exemplo explica isso melhor: quanto mais doente for a população, mais ganha a indústria farmacêutica, mais mercado há para os médicos. Se todo o mundo tivesse saúde, essa turma morreria de fome.
E a indústria de seguros precisa de que haja roubos de carros.
E a indústria de defensivos agrícolas também: cresce junto com as pragas.
E, se não houvesse crime, não se precisaria de polícia.
E quanto mais briga houver, mais os advogados ganham.
Então, se o mundo virasse um paraíso, para muita gente seria um inferno...
Além desse tipo de atividade - que se nutre da desgraça - há um outro tipo de sistema malvado, um pouco diferente: são atividades em que terceiros pagam o pato... Faculdades pagas, por exemplo: o aluno paga e é aprovado. Assim, distribuindo diplomas para todo o mundo, lucra o dono, saem felizes os alunos. E então aparecem advogados que não conhecem a lei, engenheiros que não conhecem a física. Sai feliz o profissional incompetente, sai feliz o dono da faculdade e o resto que se lixe.
Fica claro que, para todos esses casos, e tantos outros semelhantes, as conseqüências provêm da ética e não do mercado. Hoje o mercado está em crise: percebeu que não pode tudo. Deu-se conta de que a ética, que parecia não servir para nada, regula tudo o que há de prático nesta vida.

sábado, 25 de outubro de 2008

O MERCADO, A LOUCURA E A MAQUIAGEM

Como é que o mercado justifica o preço do barril de petróleo a 65 dólares e não a 145 dólares, como, aliás, ele mesmo havia estabelecido uns dias atrás? Em outras palavras, por qual razão o mercado resolveu desvalorizar o petróleo em 55%? Por que 55%, e não 12% ou 31,5%?
E como ele, o mercado, chegou à conclusão de que agora o Euro deve valer 20% menos em relação ao dólar e, por outro lado, que o iene, ao contrário, deve subir 18%?
A confusão já começa com a moeda. Segundo o FMI, de todo o estoque de moedas no mundo, 62% é constituído por dólares. Por quê? Porque sim.
E como o mercado sabe que as ações da Petrobrás devem ser desvalorizadas em 60% mas as da Chevron, empresa do mesmo ramo, só devem cair 45%?
O Banco do Brasil, o Bank of América, o Itaú, todos foram desvalorizados aproximadamente em 60% em relação ao auge nos últimos 12 meses. Tudo igual, por quê?
A resposta para todas as perguntas acima é a mesma: porque sim!
Resumindo, o mercado é a autoridade máxima quando se trata de dizer quanto valem as coisas; o mercado é quem tem a última palavra. Assim, resolveu desvalorizar também a Vale em 64%, apesar de ela ter anunciado um lucro enorme agora no terceiro trimestre de 2008: 12,43 bilhões, 167% superior ao mesmo período em 2007...
No entanto as empresas do ramo de cosméticos, como a Avon (S&P 500) e a Natura (Bovespa) ficaram relativamente imunes à crise. Parece que o mercado continua prevendo uma grande necessidade de maquiagem...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

UMA MOEDA INTERNACIONAL DE VERDADE (EXPLICADINHA)

De 28 setembro de 2001 até 30 setembro de 2008 o dólar desvalorizou-se em 55% (cinqüenta e cinco por cento) frente ao euro. Faz sentido: o governo deve demais. A dívida pública bruta americana ultrapassou bastante os 9,6 trilhões de dólares.
Além disso, os americanos vivem pendurados no crédito dos outros países; o déficit em conta corrente previsto para 2008 é de cerca de US$ 614 bilhões de dólares. Para simplificar, além de deverem, gastam mais do que recebem. Então, imprimem dinheiro.
O capital internacional, assim meio desconfiado, busca refúgio no euro: troca seus dólares e títulos do tesouro americano por euros. E então, com todo o mundo querendo comprar, o euro fica artificialmente alto e a economia européia perde competitividade. Com o euro supervalorizado, os produtos europeus tornam-se caros, ninguém compra.
Então, os europeus baixam os juros, para tornar a posse de euros pouco atraente.Também os europeus compram dólares como reserva, imprimem moeda; enfim, agem em defesa da atividade econômica na Europa, desorganizada pela invasão de dólares.
Em outras palavras, o mundo absorve o que deveria ser inflação doméstica americana: aceita o dinheiro em excesso que os americanos imprimem. Essa fabricação de dinheiro é exportada e, em vez de desorganizar só a economia americana, desorganiza a economia do mundo. Mas não são só eles que fazem isso. A idéia não é acusar os Estados Unidos; é mostrar que um mundo globalizado precisa de uma moeda verdadeiramente mundial.
Tanto a União Européia como os Estados Unidos, participam cada um com cerca de ¼ do produto mundial bruto. Não adiantaria trocar o dólar pelo euro porque, de qualquer forma, ficaria o mundo inteiro a depender de uma fração do mundo. Essa dependência, em que o mundo se subordina às moedas nacionais, complica demais a globalização; incentiva os países a se fecharem.
A solução poderia ser a criação de uma moeda internacional, como propôs Keynes em 1944. Keynes propôs o “bancor”. O bancor seria a moeda escritural usada nos negócios internacionais e seria vendida pelo FMI. Teria seu valor lastreado por 30 commodities. Ou seja, o preço do bancor seria dado por uma cesta com 30 mercadorias – como o ferro, o açúcar, o petróleo, o próprio ouro – enfim, 30 mercadorias cujos preços não dependessem de marca, apenas de quantidade. Também, meu avô apresentou uma proposta semelhante ao Congresso Nacional, em 1968, para ser encaminhada ao FMI. A moeda universal seria lastreada em uma cesta de moedas, e não nas commodities. Nada disso avançou.
Concluindo, parece claro que, sem uma moeda internacional confiável, a globalização sempre acabará prejudicando o comércio mundial, porque fluxos de capitais criados do nada, inventados pelas nações, geram lucros e prejuízos também inteiramente fictícios e desorganizam a produção.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

AS RAÍZES DA CRISE

No resto do mundo – que é diferente do Brasil – há muito tempo que os bancos não dão lucro. Naturalmente, no resto do mundo - como o lucro é proporcional ao risco - os bancos vinham fazendo apostas cada vez mais arriscadas para se manterem vivos porque, afinal, vivem do lucro.
Em um ambiente competitivo isso é natural: ser forçado a arriscar-se para obter lucro. Aliás, Marx dizia que o capitalismo era ótimo no início, porque a competição estimula a produção. Mas, depois, com o correr do tempo, reduziria incessantemente os lucros das empresas, até inviabilizar o sistema. Ou seja, o capitalismo se extinguiria a si mesmo, porque forçaria as empresas a tomarem riscos inaceitáveis em busca de lucro cada vez menor.
No entanto, a causa de os bancos não estarem conseguindo lucro parece ser outra; e não a profecia do Marx. A competição entre os bancos está acirrada demais, e os bancos arriscam-se demais, porque a economia globalizada ainda não regulamentou o jogo competitivo global. Em outras palavras, o jogo não se acabou por esgotamento dos adversários, mas porque perdeu o sentido por falta de regras. De repente virou “perde-ganha”.
Os bancos americanos, europeus e asiáticos não vinham conseguindo lucro porque o produto que eles vendem estava sobrando no mercado: dinheiro. No Japão haveria juros negativos.
Parece razoável dizer que, se de fato vinha sobrando dinheiro no mercado, era porque os Estados Unidos vinham imprimindo dólares a torto e a direito. Além dos 9,6 trilhões que o governo emitiu em títulos da dívida pública – o que é quase dinheiro – imprimiu também uma quantidade desconhecida de moeda.... Só no dia 19 de setembro passado, imprimiu US$ 69 bilhões! É mais ou menos como se fossem os donos do campo de futebol, com direito de alterar o placar sem que de fato alguém tenha feito gol... Isso dá uma confusão louca em campo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A GLOBALIZAÇÃO DA DESORDEM

Está claro que essa confusão toda não é só por conta do mercado imobiliário americano. O Primeiro Ministro britânico, Gordon Brown, defendeu na ONU que se estabelecesse uma nova ordem, algum tipo de regulamento, para os movimentos financeiros internacionais. Acabou fazendo um discurso semelhante ao do Lula na mesma instituição.
Ambos, o Brown e o Lula, estão dizendo a mesma coisa que até o George Soros, especulador – por incrível que pareça – também vem, há anos, avisando: que faltam regras para o capital internacional. Soros acha um absurdo que se possa apostar na falência – digamos assim – de um banco ou de uma empresa, ou de um país. O capital internacional joga esse jogo. É um mercado de 45 TRILHÕES de dólares. Quem resiste a um mercado desse tamanho apostando contra? Até o especulador acha que isso poderia implodir o próprio capitalismo. Que moeda sobrevive, que banco, que empresa? Se alguma moeda estava firme, se algum banco estava sólido, se alguma empresa ia bem; tudo isso se reverte, tudo vira um pesadelo, basta que o capital internacional resolva apostar contra, porque lucra com a falência.
O mundo globalizado é como um país que não tem banco central. Não tem moeda*. Não tem regras. Não tem lei. O capitalismo, como qualquer instituição humana, só faz sentido sob regras. Não vale matar o concorrente, não vale imprimir moeda alucinadamente; e vender o que não se possui, também não deveria poder. Assim como no futebol - tem que haver falta, lateral, escanteio - senão o jogo perde o sentido.
*O dólar, usado como moeda internacional, equivale a usar um elástico como fita métrica. A Sadia, apostando que a fita métrica ia encolher, acabou advinhando errado, e teve um prejuízo danado. As empresas deveriam preocupar-se em produzir, vender, receber, mas tudo isso fica pequeno se vendem em uma moeda que encolhe e, de repente, resolve espichar-se. Isso ilustra bem a necessidade de uma moeda internacional, e reforça o artigo abaixo "O dólar e uma outra moeda internacional."

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

NOTINHA COM MORAL

Então, tem o Secretário do Tesouro, Hank Paulson, que agora anda de chapéu na mão pedindo dinheiro. Antes ele era o CEO do Goldman Sachs (banco que agora foi salvo por uma medida socialista).
E tem outro Paulson, o John Paulson, sujeito riquíssimo, gestor de um hedge fund em NY, que gosta de vender o que não tem, prometendo entregar depois (short selling). Espera ganhar dinheiro comprando esses papéis mais baratos no dia prometido para entrega. Aposta na queda das ações das empresas.
MORAL: no capitalismo gente com dinheiro rouba dos que não têm dinheiro; já no socialismo, gente sem dinheiro rouba dos que têm dinheiro.

sábado, 20 de setembro de 2008

After liberation

Sheer, bright-shining spring, spring as it used to be,
Cold in the morning, but as broad daylight
Swings open, the everlasting sky
Is a marvel to survivors.
Seamus Heaney

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

CRÉDITO E DESCRÉDITO - HISTORINHA

Era uma vez um lugar remoto, onde não circulava dinheiro. As pessoas pagavam com ouro. E havia por lá um fazendeiro chamado Sam, que produzia razoavelmente bem. Os outros fazendeiros produziam alguma coisa, mas viviam brigando entre si. E acabaram envolvendo-se todos em uma grande guerra; todos menos o Sam, que entrou só no finzinho, porque era amigo do vencedor.
Assim, depois da guerra, como todos estavam quebrados, Sam deu crédito a eles. Vendia seus produtos aos outros fazendeiros, que ficaram então devendo.
À medida em que a paz trouxe prosperidade à região, Sam convenceu os vizinhos a aceitarem uns vales que antes circulavam só dentro da fazenda dele. Seriam como se fosse ouro. Como todos deviam ao Sam e, afinal, a fazenda dele produzia bem, acabaram aceitando esses vales que ele emitia; e os vales do Sam passaram a circular como se fosse dinheiro.
Mas o tempo foi passando e acabou que, um belo dia, meio de repente, todos se deram conta de que o Sam estava comprando tudo com seus vales; emitia vales a torto e a direito. E houve uma crise de crédito.
E os fazendeiros todos, de orelha em pé, começaram a reavaliar tudo, a desconfiar de tudo, até do que haveria dentro das bolsas dos outros...
Nota impertinente: Os Estados Unidos constituem apenas cerca de um quarto do PIB mundial (Fontes FMI, World Bank, CIA Factbook).

domingo, 14 de setembro de 2008

VENDENDO STRESS

The man who listens to Reason is lost: Reason enslaves all whose minds are not strong enough to master her. – Bernard Shaw
Um furacão se aproxima! E todo o mundo se preocupa, e se prepara, e foge. Depois o furacão muda de rumo. Ou se transforma em tempestade tropical.
A possibilidade de saber das ameaças – de fazer mil exames médicos, por exemplo – enche as pessoas de medos; medos então que depois não se confirmam. E uma indústria vive disso; em última análise, vende stress.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O dólar fabuloso visto do sítio

A noticia de que o dólar está uma maravilha faz lembrar de uma fábula mais ou menos assim:
Em um dia muito quente, no meio de uma planície, uma raposa viu um poço, com água clarinha. Não resistiu e pulou lá dentro. Bebeu água. Tomou banho. Mas depois não conseguia sair, porque as paredes lisas, cobertas de limo, eram um pouco altas demais. Então, a raposa ficou presa. Passado um tempo, ela ouviu alguém se aproximando. E começou a cantar e a dizer alto que a água limpa e fresquinha estava maravilhosa. E eis que chega um bode, também com calor e sede. Aproxima-se e, olhando lá para baixo, vê a raposa feliz da vida. Ela então sugere que ele salte para dentro também. E, quando ele faz isso, a raposa sobe nas costas do bode e pula para fora do poço.
Há muita gente – e bancos centrais - cheios de dólares até a tampa, cantando, exaltando o dólar maravilhoso.

sábado, 6 de setembro de 2008

FANTASMAS

E cada fantasma se convenceu, intimamente, de que o outro tinha razão, mas não disse nada.
Apenas o fantasma socialista passou a acolher a livre-iniciativa, enquanto o fantasma capitalista recorreu ao estado, para que interviesse, porque o mercado já não dava crédito a si mesmo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

ENSINANDO A SER ARTIFICIAL (revista)

Desconfia-se da espontaneidade. Fazer uma coisa naturalmente – com interesse mesmo - é quase censurável. Não há lugar para uma dedicação verdadeira. Em linhas gerais, o ensino se resumirá a ensinar a ser artificial.
Em qualquer curso os professores terão que ser divertidos, isto é, terão que dar o assunto desviando-se do assunto. Porque o assunto em si nunca interessa, não importa de fato. Ensina-se então a fingir, cria-se um interesse artificial.
E o telemarketing “estará sendo” a norma de espontaneidade. E a personalidade, a alma ligada de verdade ao que se está fazendo, a compreensão de fato, isso não terá mais o mínimo valor. E, no entanto, talvez devesse ser a principal coisa a ser ensinada.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

REPRESENTANTES

Deputados representam o povo. Sacerdotes representam deus. Juízes representam a justiça. Há uma característica comum a eles: cada um representa uma entidade que não é concreta, que não existe no mundo perceptível pelos sentidos.
Assim, os políticos, os sacerdotes e os juízes, mais do que representam, personificam. O povo ganha personalidade através dos políticos, deus ganha personalidade através dos sacerdotes e a justiça ganha personalidade através do juiz.
Talvez fosse melhor que as pessoas comuns se ocupassem desses conceitos porque, sem isso, ninguém tem idéia de como é o povo, ninguém reconhece deus e ninguém sabe como é a justiça. E os representantes do povo, de deus e da justiça costumam deixar a todos mais confusos ainda.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Olhando daqui, Gandhi parece certo...

There is more to life than simply increasing its speed.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Um vulcão sem importância

Enquanto um vulcão em Chaitén, no Chile, da beira do Oceano Pacífico portanto, soltava nuvens de partículas tóxicas vindas do centro da Terra; e essas partículas cobriam cidades; e uma nuvem imensa cobria uma faixa do Continente até chegar ao Atlântico, enquanto isso, o casal Nardoni trocava de cela, o que era importante. O vulcão, como não era importante, não saiu na TV.

O Cielo*, também não era importante: importante era o Thiago...

*Nota: O Cielo foi medalha de ouro nos jogos Pan-americanoos nos 50m nado livre, fazendo 21s84. Quebrou o record. Mas a mídia não achou importante, resolveu focalizar o Thiago Pereira. Cielo conseguiu a medalha de ouro em Pequim. Thiago não.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

LIBERDADE COMPULSÓRIA

_“Você tem que ser livre; e não me obrigue a usar a força!”

_“Sim senhor, se o senhor quer assim, então eu sou livre.”

_ “Ser livre é poder votar, entendeu?”

_ “Claro! É por isso que o voto é obrigatório.”

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O ARTISTA QUE UM PEQUENO PÚBLICO QUER

Há o caso de ver um filme, ler um livro, escutar uma música, procurando a arte como passatempo. Sendo assim, o artista deve divertir, desconcentrar, desligar o leitor ou o espectador de sua própria vida, da realidade em volta. Segue-se uma coreografia; tudo fica próximo do riso, do grito, da dança. Parece que esse é o ambiente mais popular.
Contudo, existe uma outra procura pela arte. Deve então ser um outro tipo de artista, parece, que não esteja voltado exclusivamente para o espetáculo, e preocupe-se acima de tudo em ser verdadeiro. E o artista mostra o mundo através dele mesmo nessa exibição natural. Mostra uma verdade raríssima que um público menor reconhece. E essas poucas pessoas se encontram consigo mesmas através disso.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Escrúpulos em excesso

Escrúpulo significa respeito ao respeito. É um sentimento de acatamento aos outros e à si mesmo, que indica nobreza de caráter.
Mas, por outro lado, o sujeito cheio de escrúpulos deixa de agir e realizar sua boa intenção para não infringir minúcias. Desiste de uma ação boa, de importância muito maior, porque deseja ser absolutamente escrupuloso.

Então, ao mesmo tempo, além de significar respeito, a palavra escrúpulo denota hesitação em agir, como se o escrúpulo viesse misturado com o excesso de escrúpulo. É uma palavra que, ao mesmo tempo, denota uma coisa e também o excesso dessa coisa; denota respeito e excesso de respeito.

Parece importante distinguir uma coisa de outra – o escrúpulo do excesso de escrúpulo. Dramatizando um pouco, só para ilustar, seria o caso de um policial parar de perseguir um ladrão no parque por ser proibido pisar na grama.

sábado, 9 de agosto de 2008

RECENT IMPRESSIONS

Conflicting images from Harvard.
Surprisingly, a petty thief,
Sly, mean, selfish creature;

The other one, high-principled.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Passarinhos, árvores, etc.

A natureza vai sendo globalizada: passarinhos que não existiam aqui, apareceram. Árvores também – muitas são exóticas. E ainda, os residentes locais, muitos deles chegaram recentemente, de modo que desconhecem tanto os pássaros, como as árvores.

Neste blog devem vir sempre novas fotos de árvores e pássaros, e cenas daqui. Mas não tenho intenção de publicar fotos de pessoas. Vão só comentários, notícias. E uma poesiazinha aqui e outra ali. Mal não faz.

Self-pity

I never saw a wild thing
Sorry for itself.
A small bird will drop frozen dead from a bough
without ever having felt sorry for itself.
D. H. Lawrence

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Dívidas americanas

As duas maiores instituições financeiras do mundo - Fannie Mae e Freddie Mac têm débitos de US$ 5 trilhões. Estão a ponto de quebrar. Os analistas em Wall Street e em Londres acreditam que essa crise é a mais grave desde a de 1929.
Por outro lado, a Dívida Federal Bruta dos Estados Unidos para 2009, segundo o orçamento, é de US$ 10,4 trilhões.
A Federação, assim endividada, vai socorrer o sistema financeiro?
Ao que parece, presume-se uma fé inabalável em um Estado grande e poderoso que, no entanto, pelo discurso, deveria ser mínimo...

Espetacularidades admiráveis mas nem tanto

Ingrid foi resgatada na mata por soldados que se passaram por integrantes da Cruz Vermelha. O ato, sem dúvida espetacular, sacrificou a credibilidade nas expedições de ajuda humanitária.
Os heróis colombianos não respeitaram o código de honra, as convenções internacionais.
Ninguém ligou. Nem uma linha de censura. Todo o mundo aplaudiu. Até o Gilmar, nosso guardião contra espetacularidades, ficou quieto.
Mas ficou meio esquisito, olhando daqui...

Matter of fact

Considerando um sentido para o casamento duradouro
"Life is not so sinister-grave.
Matter of fact has made them brave.
He is husband, she is wife.
She fears not him, they fear not life."
- Robert Frost, "On the Heart's Beginning to Cloud the Mind"