sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Maquiavel anda rondando por aí?

Quando o idealismo está por um fio, já se vai o tempo de o idealista estudar o inimigo para saber direito como o diabo pensa... Assim é que esta Ruminação trata de repassar o pensamento de Maquiavel.

Maquiavel defende a necessidade de praticar o mal, porque acha que – no mundo real – o idealista não sobrevive. Há muita gente jogando sujo e quem joga limpo não tem vez.

Para ele, não importa como deveria ser: importa como é. Os homens dão valor às aparências: quase ninguém dá valor ao que não vê. Os ideais valem pouco, o que comanda é a necessidade. O que existe, o que vale, é a vulgaridade e não o pensamento de uma meia dúzia de falsos sábios. O que há no mundo é incoerência: não há possibilidade de coerência.

Segundo ele, a república não se mantém buscando um ideal; o patriotismo não mantém a república, o que mantém a república é o medo. Assim ensina Maquiavel. A população deseja ser comandada, embora não reconheça esse desejo, assim como não reconhece muitas de suas próprias necessidades. É preciso enganar o povo dizendo que a justiça é possível, embora se saiba que não é.

Assim recomendava Maquiavel a César Borgia, filho do Papa Alexandre VI. Que agisse como fosse necessário e explicasse depois. Que declarasse ser contra a fraude e a força, mas, incoerentemente, usasse a fraude e a força. Foi o que cardeal César Borgia fez, com algum excesso, possivelmente.

Para concluir, olhando daqui do sítio, e tomado por certo misticismo, antevê-se uma boa chance de Maquiavel reencarnar, nem que seja metaforicamente. O pior é que parece que ele tem razão, ao menos em parte do que diz.