domingo, 25 de abril de 2010
VIVAM COMO DESESPERADOS!
“Viva o presente; a vida é hoje!”. Circulam pela Internet um monte de mensagens nessa linha.
E no entanto não é isso o que se recomendava há uns cinqüenta anos. A civilização Ocidental ensinava que havia um futuro, que cada um fazia parte de instituições maiores, como a pátria; que cada um prolongaria sua existência através das gerações futuras, herdeiras de um mundo legado por nós: “Roma não foi feita em um dia. Devagar se vai ao longe. Calma, que o Brasil é nosso.”
Pouco depois da queda do Muro de Berlim conversei com uma canadense que havia estado no lado oriental; foi no início da década de 90. Ela me disse que ficou impressionada com o fato de eles viverem para a festa do dia. No máximo pensavam em uma roupa para o dia seguinte. Ninguém estava construindo uma casa ou tinha um projeto para mais adiante. “Vivem como desesperados” ela disse. “Um povo assim não pode ter futuro, vivem como desesperados”.
Não é de admirar que as drogas tenham um apelo forte, se a juventude é ensinada a viver como se não existissem conseqüências. Ensinada a viver desconsiderando a ressaca; desconhecendo a História; sem esperar, ou seja, em desespero...
Nem as civilizações mais desapegadas ao mundo material vivem assim. Substituem o plano material por outro, espiritual; mas acreditam haver um sentido para o que se faz, não acham que tudo se reduza ao presente.
Existem guerras, vulcões, terremotos, a morte... Tudo isso sempre ameaçou o futuro, mas ensinava-se a ser corajoso, a ter fé.
O “Seja forte!” foi substituído por “Somos uns coitadinhos”. Parece que estamos indo de um extremo ao outro, de uma vida sempre adiada para uma vida desesperada.
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