terça-feira, 17 de dezembro de 2019
DIREITA E ESQUERDA – BREVÍSSIMA ATUALIZAÇÃO CONCEITUAL
A Direita preocupa-se mais com a produção; presume que bens e serviços são difíceis de obter, por isso a Direita preocupa-se em tirar as amarras dos mais fortes: para que possam produzir. Intimamente o direitista acha que a vida é difícil por natureza e que cada um precisa estar apto a entender o que acontece e trabalhar as soluções. Em outras palavras, a Direita acredita que, quando cada um cuida de si com inteligência, honestidade e empenho, as exigências coletivas acabam sendo atendidas.
Já a Esquerda preocupa-se mais com a distribuição; entende que a coletividade está sendo impedida pelos mais poderosos de ter acesso a bens e serviços, por isso a Esquerda preocupa-se em socorrer os mais fracos. Intimamente o esquerdista acha que a vida seria fácil se todos obedecessem a um plano comum concebido pelos dirigentes. Em outras palavras, a esquerda acredita que quando o governo cuida do coletivo com inteligência, honestidade e empenho, as exigências individuais acabam sendo atendidas.
O pensamento da Direita faz mais sentido nos tempos de escassez, quando tudo começa a faltar; o pensamento de Esquerda faz mais sentido nos tempos de fartura, quando há produção de sobra.*
Tanto a Direita quanto a Esquerda observam as desigualdades: os Direitistas porque desigualdade grande significa mercado pequeno e convulsão social; os Esquerdistas são contra a desigualdade por ideologia, porque acham errado uns terem mais que outros.
Há ladrões de Direita e ladrões de Esquerda. Agem da mesma maneira, roubando o que é público ou roubando de quem não pode se defender. Por exemplo, o meio ambiente é usado por ladrões de ambas as correntes políticas: os ladrões esquerdistas saqueiam em nome dos pobres e da preservação, enquanto os direitistas saqueiam em nome da produção.
Os ladrões de Direita ou de Esquerda são difíceis de serem pegos quando estão por muito tempo no governo porque, enquanto exercem o Poder, se vão associando ao Legislativo, ao Executivo e ao Judiciário. Com o tempo, o Poder corrompe tanto a Direita quanto a Esquerda.
Um último ponto a observar é que ambas as correntes políticas – Direita e Esquerda – estavam habituadas a usar a imprensa como meio para controlar o pensamento da população, por exemplo, desviando a atenção de erros e crimes, ou tirando o foco da oposição. Essa é a grande novidade: a mídia de massa deixa de ser o principal meio de apoio aos governos. Os governos estão dando-se conta disso. E a população também. Em todo o Mundo, a grande imprensa cai no descrédito na medida em que as redes sociais revelam as omissões e distorções das notícias divulgadas por jornais e revistas.
* Está implícito que, para a Esquerda funcionar para sempre, deveria haver uma evolução ética: a Humanidade deixaria de ser egoísta, passando a comportar-se naturalmente de uma maneira social, gregária. Já a perpetuação da Direita exigiria que perdurasse a crença em que o Estado precisa ser sempre limitado, porque somos naturalmente egoístas e as autoridades tendem a buscar privilégios.
P.S.: O objetivo deste ensaio é o de evitar desentendimentos desnecessários. Conceitos básicos claros evitam insanidade de parte a parte.
terça-feira, 5 de março de 2019
IGUALDADE, COMO ASSIM?
Em breve faço 72 anos. Tenho direito a “cartão de estacionamento para idoso”. Isso me faz igual ao jovem? Igual? Como, de que jeito?
Se a Natureza tem uma característica marcante, essa característica é a diversidade. Mas o ser humano fica confuso diante da multiplicidade. Escolhe então algumas plantas e animais e faz um jardim no meio da floresta. Em busca da igualdade é capaz mesmo de derrubar a mata e arrasar os morros, buscando a planície. A diversidade dá medo.
O ideal é a igualdade. Será? Essas plantas todas, animais, minerais de todos os tipos e tamanhos: queremos mesmo que tudo seja igual? Não! Não é bem isso! Queremos outro tipo de igualdade. Como assim? Como é essa igualdade que queremos? Não interessa como é. Já dizia o velho provérbio romano: “Os homens poẽm mais fé naquilo que não entendem”* .
Alguns, um pouco mais lúcidos, mas ainda desesperados diante das diferenças naturais, propõem então apenas direitos iguais. Reconhecem as diferenças mas exigem que haja uma tentativa de nivelamento. Existem «cadeirantes», por exemplo, então, vamos fazer com que possam se locomover como os outros. Vamos fazer rampas. Depois a gente trata de cegos, de órfãos, de índios, das árvores menores que não conseguem chegar à luz do sol, das formigas que são inimigas e das abelhas que são amigas… Queremos igualdade de direitos.
Mas já se percebe que mesmo essa igualdade de direitos é confusa também. Por exemplo, os idiotas têm direito a serem médicos? Os cegos têm direito a serem pilotos? Os criminosos têm direito a serem juízes? Os ratos têm os mesmos direitos que os cachorros?
Igualdade, liberdade, fraternidade… Conceitos fluidos, amorfos, que se prestam a todo tipo de distorção. A Revolução Francesa não deu certo. Talvez o que todos queiram mesmo é compaixão. Mas essa palavra é ultrapassada. Empatia talvez seja mais aceitável.
*Majore fidem homines adhibent iis quae non intelligunt
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