quarta-feira, 11 de julho de 2012

MONUMENTOS À MEGALOMANIA

Agora, em 2012, foi inaugurado em Londres um edifício com 310 metros de altura, o maior da Europa. Olhando daqui do sítio parece incrivelmente pequeno. Diminui porque errou de milênio: se tivesse sido construído em 2012 A.C., teria sido um sucesso. Junto com a Torre de Babel ou o Farol de Alexandria teria deixado todo o mundo de boca aberta! Fogos de artifício, rojões! Que coisa impressionante, então!
Mas os ingleses não são os únicos. Haja Dubais, haja estádios de futebol. Torres Gêmeas. Como é possível que, ainda hoje, queiram erguer edifícios enormes? Como isso acontece?
Quem admira essas novas Pirâmides e Coliseus? Simplórios, talvez. Alguém que fica impressionado com objetos grandes, com sons fortes, com cores chamativas. Pessoas muito primárias, trogloditas. Nada de sutilezas. Nada de abstrações. Que troglodita admiraria um bom Código Penal? Troglodita se impressiona é com tigre gigante, com muitos tigres. Olha que tigre grande! Olha quanto tigre! Olha que prédio enorme! Mas, Código Penal?
No entanto, mesmo nos dias de hoje, simplórios provavelmente não são capazes de empreender a construção de monumentos à megalomania. Como isso é viabilizado economicamente? Tudo indica que a superpopulação torna tudo possível. A superpopulação, no início, viabiliza tudo. Depois, nada mais se sustenta.