sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A ÉTICA NO AUGE DO IMPÉRIO ROMANO

A ética que prevaleceu no auge do Império Romano merece uma comparação com a ética atual.

Há várias éticas. O que um povo acha bom, outro não acha. Culturas diferentes dão explicações diferentes para admirar ou condenar um ato. Hoje exaltamos agregar coisas a nós mesmos: apartamentos, carros, tablets. Consumir. Lá pelo ano 170 dC admirava-se o saber, a coragem, a justiça, a moderação. Prevalecia essa doutrina, estóica.

Vale a pena examinar os fundamentos disso - admirar coisas abstratas, em vez de coisas materiais. É claro que havia espaço para hipocrisia, para arrogância e para uma falsa pregação moralista; ainda assim, o estoicismo convenceu e perdurou por séculos.

A educação estóica ensinava aos jovens que tudo aquilo que o Destino nos dá, pode tirar de nós. A qualquer momento. Riqueza, saúde, e outras coisas desejadas, não fazem parte da gente. Assim como aparecem, se vão. Então – diziam os estóicos - que se busque um bom fluxo da vida, uma vida de acordo com a Natureza. Compreenda-se que muitos desejos são incompatíveis – um contradiz o outro. E assim, uma corrida irrefletida atrás das vontades e caprichos estabelece uma eterna insatisfação. Ou, finalmente, o tédio.

Não se trata de abandonar o mundo, de deixar o barco correr. Trata-se de saber que não se tem o controle de tudo, e que o que se deseja é apenas um desejo. Nossa alma não está em jogo: o que está em jogo está fora de nós.

Educado dessa forma, o jovem aprende a valorizar a si mesmo e não ao que a Fortuna lhe deu ou deixou de lhe dar. A obtenção de resultados – se tiverem que acontecer – não decorrerão só da sabedoria, da justiça, da coragem, da moderação. Os resultados podem vir ou não. Para o estóico, dá na mesma. Sua alma é indiferente aos resultados. Não sofre por ansiedade nem tampouco por decepção. Apenas empenha-se racionalmente, como deve, em harmonia com a Natureza. Ele sabe que riqueza e saúde não serão privilégio dos bons e entende isso como natural.

Antes de tudo, a ética estóica ensinava a respeitar a si mesmo e à sua ligação com o Todo. E nenhuma lei seria superior a isso. Esse pensamento era tão comum, tão geralmente aceito, que o Direito Romano reconhecia isso: a Lei Natural (jus naturali) como superior a todas as outras.

Algumas frases do livro “Meditações”, escrito pelo Imperador Marcus Aurelius, completam e ilustram o que foi dito acima sobre a ética estóica e encerram essas Ruminações:
"Isto tenhas sempre em mente: qual é a natureza do todo..." (II,9)
“Não considera como vantajoso o que te fizer quebrar a palavra ou perder o respeito próprio.”(III,7) ;
“Compreende, contudo, que um homem vale tanto quanto valem as coisas das quais se ocupa.” (VII, 3);
“Não sejas descuidado com as ações, nem confuso com as palavras, nem tortuoso com o pensamento.” (VIII, 51).