quinta-feira, 23 de julho de 2015

DEMOCRACIA E A MORALIDADE DA POPULAÇÃO

Uma escala de evolução moral proposta por Kohlberg em 1958 parece muito útil para examinar a situação atual do Brasil.

Kohlberg considerou que a moralidade das crianças evolui de acordo com as intenções que guiam as suas escolhas morais. Ou seja, o raciocínio que guia suas decisões vai evoluindo à medida em que vai amadurecendo. Estabeleceu 6 estágios:

1. No estágio inicial a criança obedece; acha que os pais é que sabem o que deve ser feito e escolhe por medo do castigo;
2. Depois, evolui para escolher em função do que recebe em troca: o castigo passa a ser um risco a considerar;
3. O terceiro degráu é quando passa a escolher por conta das boas relações com os grupos que conhece, e a escolha passa a seguir os padrões que ele percebe na família e na comunidade. Atinge aqui um patamar em que valoriza o amor, a confiança e se preocupa com as pessoas que conhece;
4. Começa depois a perceber que o seu grupo faz parte de um grupo maior, e que a sociedade tem que funcionar como um todo. Percebe que deve haver leis que se apliquem generalizadamente, que é preciso haver alguma ordem;
5. Um nível mais elevado de escolha acontece quando ele percebe que uma sociedade que funcione não é necessariamente boa. Percebe que a democracia pode fazer escolhas muito erradas, por exemplo: a maioria pode escolher explorar a minoria. Nesse estágio de evolução moral o sujeito percebe que a aplicação da lei em determinados casos é injusta, mas ainda acredita que deve ser assim, que se trata de um contrato social;
6. O último estágio moral seria uma busca intelectual por um sistema que garantisse escolhas justas, julgamentos justos. Hoje, o Habermas, por exemplo, acredita que uma sociedade assim se construiria com debates em busca de um consenso. Os discursos de cada um seriam pesados por todos, de modo que se fosse convergindo para um discurso unanimemente aceito.

Acredito que a escala que Kohlberg aplicava às crianças, aplica-se às populações. As populações parecem se comportar como um indivíduo. Acredito que a população como um todo vai galgando estágios morais. Primeiro, obedece ao imperador, ao ditador, a um lider. Oferecer democracia a uma população nesse estágio moral é como permitir que uma criança de um ano determine o que vai fazer, sem a condução de ninguém.

Olhando daqui do Sítio, acredito que o Brasil está no nível moral 2. Talvez, em algumas regiões, no nível 3. Ou seja, os brasileiros em geral agem por vantagem pessoal ou para terem boas relações com seus grupos. Não têm o menor interesse em saber - ou capacidade de compreender - como a sociedade funciona. E então, como agir em um país assim?

Talvez publicando artigos como este, que despertem as pessoas e as induzam a, finalmente, fustigar as lideranças para que mudem de estágio moral. Não vejo outro caminho diferente desse; de enfrentar as autoridades, de usar os meios, principalmente os de comunicação, forçando a que se comportem pelo menos como crianças no nível moral 4...