domingo, 13 de julho de 2014

FUTEBOL, PÁTRIA E DINHEIRO

O futebol brasileiro faz lembrar do Vadinho, um personagem do Jorge Amado. Acontece que o Vadinho caiu morto no meio da rua. Com ele lá, estendido no chão, foi juntando gente em volta. Até que apareceu um médico que, examinado o corpo, confirmou a morte. E então alguém pergunta: “Doutor, ele morreu de quê?” E o Doutor responde: “De tudo meu filho, de tudo...”

Daqui do sítio se tem a impressão de que a seleção teria o mesmo laudo: morreu de tudo. Morreu uma seleção composta por milionários preocupados em mostrar que valem mesmo o dinheiro que recebem. Vivem em outros países. Relacionam-se com o Brasil através da CBF, da FIFA – instituições não muito edificantes, não muito exemplares.

Afinal, o que é esporte? Que diabo significa essa palavra, esporte? Fazer uma coisa por esporte é fazer por diversão, por prazer. Mas, e o esporte profissional? Esporte profissional é mais ou menos como amor profissional. E lá vem a velha anedota do surfista profissional que dizia que o que mais queria na vida era largar o surf para se dedicar ao que realmente gostava... Enfim, o conceito de esporte profissional traz uma contradição latente: o esportista profissional tem obrigação de gostar do que faz.

Há algumas décadas o futebol era, antes de tudo, um esporte. Hoje é, principalmente, um negócio. Está ligado visceralmente à indústria do entretenimento. E a indústria do entretenimento valoriza a aparência e não o espírito esportivo.

Antes, a Seleção era a Pátria de Chuteiras e os jogadores representavam o Brasil em um mundo metido a besta. Foi quando começamos a nos perceber como capazes – começamos a acreditar que o vira-latas era melhor do que o cão de raça. Foi um período dourado. Ganhamos de todo o mundo.

Mas o tempo devora tudo. No lugar do futebol veio o "futebol-negócio", uma máquina muito mais exata, muito mais racional. E agora percebemos que, mesmo tendo 200 milhões de habitantes, perdemos da Holanda, que tem 17 milhões e da Alemanha, que tem 81 milhões. Voltamos a ser vira-latas? Parece que não! Fomos para o outro extremo. Nos comportamos como bichinhos mimados. Nos dedicamos muito mais ao penteado, à chuteira pintada, à aparência, ao marketing. Além disso, os brasileiros hoje acham que têm direito a tudo. Temos direito a casa, comida, temos direito a dinheiro, devemos ser perdoados pelos nossos crimes e, por que não, temos direito à Copa do Mundo. Temos direito à vitória. Choramos muito se formos contrariados.