quarta-feira, 12 de maio de 2010

ESQUERDA, DIREITA E CENTRO

Vai aqui um resumo: uma tentativa meio escolar de resgatar o significado do que seja esquerda, direita e centro. Os nomes não dizem muito. Que desejo, que tipo de pensamento prevaleceria em cada uma dessas facções?
Tudo indica que reconhecemos três tipos de mentalidade partidária: os da esquerda, que pregam a igualdade; os da direita, que glorificam a liberdade e, finalmente, outros, de centro, que querem harmonia.
Há um conflito latente entre essas três coisas: igualdade, liberdade e harmonia; aumentando-se uma, a outra diminui. Quem quer muita liberdade não está muito preocupado com harmonia. Quem quer harmonia, não quer extinguir as diferenças.
Possivelmente a maior divergência está entre querer igualdade e querer liberdade.
Havendo liberdade, é natural que não haja igualdade. Com liberdade, os mais interessados, ou talvez mais fortes, ou talvez os mais habilitados, comandam. Em seqüência, tendo conquistado alguma vantagem, o mais forte, absolutamente livre, aproveita-se dessa vantagem para, através dela, obter mais outras. Assim, a desigualdade tende a crescer sempre. Com liberdade absoluta, ainda que todos progridam, o poder dos mais fortes sobre os mais fracos tende a aumentar persistentemente.
Se o ideal for apenas esse – liberdade - caso não haja alguma restrição à liberdade individual, aumenta-se a desigualdade mais e mais, até que haja alguma ruptura.
Retomando então, haveria três tipos de impulso político: o que prega a igualdade, o que prega a liberdade e o que prega harmonia.
E o que mais se poderia dizer sobre cada personalidade: a que prega igualdade, a que prega liberdade, e a que prega harmonia?
Interpretando positivamente, admitindo que todos têm boa vontade, então, quem prega a igualdade estaria movido por qual sentimento? Pela compaixão, talvez. E quem prega a liberdade? Quem sabe, estaria movido pelo desejo de progresso. E quem prega a harmonia, faria isso porque deseja concórdia.
Por outro lado, interpretando negativamente, isto é, suspeitando de que os desejos políticos são perversos, então, quem diz querer igualdade na verdade estaria só com inveja. E quem diz querer liberdade, estaria sendo movido pela truculência. E quem diz querer harmonia pode ser acusado de querer mediocridade. Mas não sejamos pessimistas.
Acreditando na boa vontade, apostando em que o ser humano é capaz de bons propósitos, do que precisamos mais agora, nesse momento, nessas circunstâncias: compaixão, progresso ou concórdia?