sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

MANDELA É ADMIRADO POR QUÊ?

A admiração pelo Mandela não parece ser uma espécie comum de admiração. Admirar um jogador de futebol habilidoso ou dar importância a um bilionário qualquer são coisas que se vêem com freqüência. Mas parece que a importância que se dá ao Mandela tem uma explicação mais sutil. Não é comum reconhecerem a força moral. A força bruta é logo notícia, mas a força moral é mais difícil de ser admirada: nem todas as populações são capazes disso.

Mandela passou 28 anos preso, resistiu a todas as propostas de corrupção. Não cedeu; não teve medo de arriscar a vida pelo seu ideal. Venceu o racismo, é verdade, mas o que mais se distingue no caso não é tanto a sua vitória, mas a sua atitude. Importa a vitória, mas - mais do que isso - importa a maneira como foi conseguida.

Há mais de dois mil anos a nossa civilização ensina o valor de quatro hábitos bons, fundamentais. O primeiro deles é o hábito de procurar conhecer, procurar saber o suficiente antes de agir. O segundo é o hábito de ser justo, de honrar o que foi combinado. O terceiro, é o hábito de não se abater facilmente, de ser corajoso, não se deixar dominar pelo medo. Finalmente, o último desses hábitos bons é a temperança, a moderação, que traz para a vida diária alguma ordem, alguma disciplina.

O respeito, a admiração ao Mandela não se devem a um ou outro gesto dele; não se devem ao fato de haver derrotado o racismo: se devem a virtudes constantes; a bons hábitos persistentes por toda a sua longa vida. Gostam dele porque tem um caráter extraordinário.

Se é assim, se ele é admirado por seu caráter, então o mais significativo no caso é o fato de o mundo estar reconhecendo valores morais. Será mesmo? Quando se vê o mundo reverenciando assim o Mandela, isso significa que há populações capazes de entenderem a importância da ética? Será que muitos percebem além das aparências, além das superficialidades? Ou a multidão se move bovinamente, sem saber direito por que gosta dele?