A admiração pelo Mandela não parece ser uma espécie comum de admiração. Admirar um jogador de futebol habilidoso ou dar importância a um bilionário qualquer são coisas que se vêem com freqüência. Mas parece que a importância que se dá ao Mandela tem uma explicação mais sutil. Não é comum reconhecerem a força moral. A força bruta é logo notícia, mas a força moral é mais difícil de ser admirada: nem todas as populações são capazes disso.
Mandela passou 28 anos preso, resistiu a todas as propostas de corrupção. Não cedeu; não teve medo de arriscar a vida pelo seu ideal. Venceu o racismo, é verdade, mas o que mais se distingue no caso não é tanto a sua vitória, mas a sua atitude. Importa a vitória, mas - mais do que isso - importa a maneira como foi conseguida.
Há mais de dois mil anos a nossa civilização ensina o valor de quatro hábitos bons, fundamentais. O primeiro deles é o hábito de procurar conhecer, procurar saber o suficiente antes de agir. O segundo é o hábito de ser justo, de honrar o que foi combinado. O terceiro, é o hábito de não se abater facilmente, de ser corajoso, não se deixar dominar pelo medo. Finalmente, o último desses hábitos bons é a temperança, a moderação, que traz para a vida diária alguma ordem, alguma disciplina.
O respeito, a admiração ao Mandela não se devem a um ou outro gesto dele; não se devem ao fato de haver derrotado o racismo: se devem a virtudes constantes; a bons hábitos persistentes por toda a sua longa vida. Gostam dele porque tem um caráter extraordinário.
Se é assim, se ele é admirado por seu caráter, então o mais significativo no caso é o fato de o mundo estar reconhecendo valores morais. Será mesmo? Quando se vê o mundo reverenciando assim o Mandela, isso significa que há populações capazes de entenderem a importância da ética? Será que muitos percebem além das aparências, além das superficialidades? Ou a multidão se move bovinamente, sem saber direito por que gosta dele?
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
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2 comentários:
A África do sul possui uma história traumática recente,e a morte de mandela é continuação dela,por isso vão em massa para as ruas num simbólico "happy end".Os negros,como s brancos não são tão unidos assim,fora da África são todos irmãos mas là dentro,etnias e religiões os dividem e os massacram.Quanto aos políticos,também ignoram a ética, foram lá fazer média, como os daqui que sobem um morro no dia de N.S. da Conceição,devotos por votos.Abraço Zé Mauro
Caro Marcos,
Gostei de sua ruminação. A humanidade sempre precisou de líderes, de modelos. Além de Mandela (uma rara unanimidade), surgiu recentemente o papa Francisco, escolhido como a Pessoa do Ano pela revista TIME International.
Um abraço
Paulo
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