terça-feira, 19 de janeiro de 2010
EDUCANDO SEM PUNIR: AMOR EM VEZ DE JUSTIÇA
Bater nos filhos vai se tornar ilegal no Brasil.
Mas como não recorrer à força física se o menino não obedece em momentos críticos? Se, por exemplo, um menino bate no irmão menor e continua batendo, mesmo diante do protesto dos pais?
O uso de castigos corporais, como a palmatória, ainda é permitido nas escolas de 20 estados americanos e também ainda é permitido na França. Foi proibido nas escolas públicas do Reino Unido só em 1987 e nas escolas privadas em 2003. Foi proibido no Canadá em 2004.
Enfim, tudo indica que o mundo ocidental caminha para um ideal – talvez desastroso - de educar sem punições de qualquer tipo, muito menos punições físicas. Acredito que isso é ruim: a punição faz parte de todos os jogos da vida. O índio que anda distraído pela mata é punido naturalmente quando pisa em um formigueiro. A educação sem punição educa para uma vida que não existe; e nem pode existir. A vida pune naturalmente e a educação deve ter a realidade em conta. Desconsiderar o que existe não parece sensato.
Ainda que não usar a força física seja indicado para a grande maioria das crianças durante quase todo o tempo, ninguém desconhece que há meninos e meninas capazes de atacar fisicamente os pais, ou os professores; e há ainda um número maior capaz de debochar, insultar, enfim, fazer da casa onde mora ou da sala de aula lugares insuportáveis. Esses, não se sujeitam a palavras, só a ações. E para eles o castigo imediato não só é justo como absolutamente necessário. A força tem que ser usada para deter a violência, do contrário a violência reina.
O Jim Rawls, em sua teoria tão elogiada, diz que a justiça está para as instituições sociais assim como a verdade está para o pensamento. O pensamento busca a verdade e, da mesma forma, as sociedades buscam a justiça. Ultimamente, em vez de buscarmos a justiça, temos dito preferir o amor. Parece que esse amor assim gorduroso, acaba ocupando o espaço da justiça...
Li o comentário de um islâmico atribuindo ao cristianismo uma aversão fundamental à justiça entre os homens, decorrente da idéia de que não se deve julgar, que se deve sempre perdoar. E ele argumenta que o fato de Jesus – um inocente – ter sido sacrificado para livrar os pecadores, já isso em si não é justo. Acusa o amor Cristão de ser incompatível com a justiça... Talvez em alguns casos seja mesmo.
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