sábado, 25 de outubro de 2008

O MERCADO, A LOUCURA E A MAQUIAGEM

Como é que o mercado justifica o preço do barril de petróleo a 65 dólares e não a 145 dólares, como, aliás, ele mesmo havia estabelecido uns dias atrás? Em outras palavras, por qual razão o mercado resolveu desvalorizar o petróleo em 55%? Por que 55%, e não 12% ou 31,5%?
E como ele, o mercado, chegou à conclusão de que agora o Euro deve valer 20% menos em relação ao dólar e, por outro lado, que o iene, ao contrário, deve subir 18%?
A confusão já começa com a moeda. Segundo o FMI, de todo o estoque de moedas no mundo, 62% é constituído por dólares. Por quê? Porque sim.
E como o mercado sabe que as ações da Petrobrás devem ser desvalorizadas em 60% mas as da Chevron, empresa do mesmo ramo, só devem cair 45%?
O Banco do Brasil, o Bank of América, o Itaú, todos foram desvalorizados aproximadamente em 60% em relação ao auge nos últimos 12 meses. Tudo igual, por quê?
A resposta para todas as perguntas acima é a mesma: porque sim!
Resumindo, o mercado é a autoridade máxima quando se trata de dizer quanto valem as coisas; o mercado é quem tem a última palavra. Assim, resolveu desvalorizar também a Vale em 64%, apesar de ela ter anunciado um lucro enorme agora no terceiro trimestre de 2008: 12,43 bilhões, 167% superior ao mesmo período em 2007...
No entanto as empresas do ramo de cosméticos, como a Avon (S&P 500) e a Natura (Bovespa) ficaram relativamente imunes à crise. Parece que o mercado continua prevendo uma grande necessidade de maquiagem...