terça-feira, 5 de março de 2019

IGUALDADE, COMO ASSIM?


Em breve faço 72 anos. Tenho direito a “cartão de estacionamento para idoso”. Isso me faz igual ao jovem? Igual? Como, de que jeito?

Se a Natureza tem uma característica marcante, essa característica é a diversidade. Mas o ser humano fica confuso diante da multiplicidade. Escolhe então algumas plantas e animais e faz um jardim no meio da floresta. Em busca da igualdade é capaz mesmo de derrubar a mata e arrasar os morros, buscando a planície. A diversidade dá medo.

O ideal é a igualdade. Será? Essas plantas todas, animais, minerais de todos os tipos e tamanhos: queremos mesmo que tudo seja igual? Não! Não é bem isso! Queremos outro tipo de igualdade. Como assim? Como é essa igualdade que queremos? Não interessa como é. Já dizia o velho provérbio romano: “Os homens poẽm mais fé naquilo que não entendem”* .

Alguns, um pouco mais lúcidos, mas ainda desesperados diante das diferenças naturais, propõem então apenas direitos iguais. Reconhecem as diferenças mas exigem que haja uma tentativa de nivelamento. Existem «cadeirantes», por exemplo, então, vamos fazer com que possam se locomover como os outros. Vamos fazer rampas. Depois a gente trata de cegos, de órfãos, de índios, das árvores menores que não conseguem chegar à luz do sol, das formigas que são inimigas e das abelhas que são amigas… Queremos igualdade de direitos.

Mas já se percebe que mesmo essa igualdade de direitos é confusa também. Por exemplo, os idiotas têm direito a serem médicos? Os cegos têm direito a serem pilotos? Os criminosos têm direito a serem juízes? Os ratos têm os mesmos direitos que os cachorros?

Igualdade, liberdade, fraternidade… Conceitos fluidos, amorfos, que se prestam a todo tipo de distorção. A Revolução Francesa não deu certo. Talvez o que todos queiram mesmo é compaixão. Mas essa palavra é ultrapassada. Empatia talvez seja mais aceitável.

*Majore fidem homines adhibent iis quae non intelligunt