sexta-feira, 3 de outubro de 2008
AS RAÍZES DA CRISE
No resto do mundo – que é diferente do Brasil – há muito tempo que os bancos não dão lucro. Naturalmente, no resto do mundo - como o lucro é proporcional ao risco - os bancos vinham fazendo apostas cada vez mais arriscadas para se manterem vivos porque, afinal, vivem do lucro.
Em um ambiente competitivo isso é natural: ser forçado a arriscar-se para obter lucro. Aliás, Marx dizia que o capitalismo era ótimo no início, porque a competição estimula a produção. Mas, depois, com o correr do tempo, reduziria incessantemente os lucros das empresas, até inviabilizar o sistema. Ou seja, o capitalismo se extinguiria a si mesmo, porque forçaria as empresas a tomarem riscos inaceitáveis em busca de lucro cada vez menor.
No entanto, a causa de os bancos não estarem conseguindo lucro parece ser outra; e não a profecia do Marx. A competição entre os bancos está acirrada demais, e os bancos arriscam-se demais, porque a economia globalizada ainda não regulamentou o jogo competitivo global. Em outras palavras, o jogo não se acabou por esgotamento dos adversários, mas porque perdeu o sentido por falta de regras. De repente virou “perde-ganha”.
Os bancos americanos, europeus e asiáticos não vinham conseguindo lucro porque o produto que eles vendem estava sobrando no mercado: dinheiro. No Japão haveria juros negativos.
Parece razoável dizer que, se de fato vinha sobrando dinheiro no mercado, era porque os Estados Unidos vinham imprimindo dólares a torto e a direito. Além dos 9,6 trilhões que o governo emitiu em títulos da dívida pública – o que é quase dinheiro – imprimiu também uma quantidade desconhecida de moeda.... Só no dia 19 de setembro passado, imprimiu US$ 69 bilhões! É mais ou menos como se fossem os donos do campo de futebol, com direito de alterar o placar sem que de fato alguém tenha feito gol... Isso dá uma confusão louca em campo.
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