terça-feira, 7 de outubro de 2008
UMA MOEDA INTERNACIONAL DE VERDADE (EXPLICADINHA)
De 28 setembro de 2001 até 30 setembro de 2008 o dólar desvalorizou-se em 55% (cinqüenta e cinco por cento) frente ao euro. Faz sentido: o governo deve demais. A dívida pública bruta americana ultrapassou bastante os 9,6 trilhões de dólares.
Além disso, os americanos vivem pendurados no crédito dos outros países; o déficit em conta corrente previsto para 2008 é de cerca de US$ 614 bilhões de dólares. Para simplificar, além de deverem, gastam mais do que recebem. Então, imprimem dinheiro.
O capital internacional, assim meio desconfiado, busca refúgio no euro: troca seus dólares e títulos do tesouro americano por euros. E então, com todo o mundo querendo comprar, o euro fica artificialmente alto e a economia européia perde competitividade. Com o euro supervalorizado, os produtos europeus tornam-se caros, ninguém compra.
Então, os europeus baixam os juros, para tornar a posse de euros pouco atraente.Também os europeus compram dólares como reserva, imprimem moeda; enfim, agem em defesa da atividade econômica na Europa, desorganizada pela invasão de dólares.
Em outras palavras, o mundo absorve o que deveria ser inflação doméstica americana: aceita o dinheiro em excesso que os americanos imprimem. Essa fabricação de dinheiro é exportada e, em vez de desorganizar só a economia americana, desorganiza a economia do mundo. Mas não são só eles que fazem isso. A idéia não é acusar os Estados Unidos; é mostrar que um mundo globalizado precisa de uma moeda verdadeiramente mundial.
Tanto a União Européia como os Estados Unidos, participam cada um com cerca de ¼ do produto mundial bruto. Não adiantaria trocar o dólar pelo euro porque, de qualquer forma, ficaria o mundo inteiro a depender de uma fração do mundo. Essa dependência, em que o mundo se subordina às moedas nacionais, complica demais a globalização; incentiva os países a se fecharem.
A solução poderia ser a criação de uma moeda internacional, como propôs Keynes em 1944. Keynes propôs o “bancor”. O bancor seria a moeda escritural usada nos negócios internacionais e seria vendida pelo FMI. Teria seu valor lastreado por 30 commodities. Ou seja, o preço do bancor seria dado por uma cesta com 30 mercadorias – como o ferro, o açúcar, o petróleo, o próprio ouro – enfim, 30 mercadorias cujos preços não dependessem de marca, apenas de quantidade. Também, meu avô apresentou uma proposta semelhante ao Congresso Nacional, em 1968, para ser encaminhada ao FMI. A moeda universal seria lastreada em uma cesta de moedas, e não nas commodities. Nada disso avançou.
Concluindo, parece claro que, sem uma moeda internacional confiável, a globalização sempre acabará prejudicando o comércio mundial, porque fluxos de capitais criados do nada, inventados pelas nações, geram lucros e prejuízos também inteiramente fictícios e desorganizam a produção.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário