Marcus Tullius Cícero (106AC-43AC) também achava isso: praticar as 4 virtudes clássicas parece que vai contra a opinião da maioria. No entanto ele admitia, como muitos depois dele, que a multidão não vê verdades paradoxais. As pessoas se questionam: isso leva a quê? Ser sábio, justo, corajoso e comedido, ou seja, buscar o conhecimento, ser honesto, não ter medo, ser moderado; o que se ganha com isso?
Para esclarecer essa questão Cícero escreveu “Paradoxa Stoicorum” - décadas antes de Cristo pregar o evangelho. São sete ensaios curtos. Ali ele mostra razões para que se busquem essas virtudes.
Esta Ruminação procura então resumir esses argumentos, tão contrários à crença comum. Para tornar a leitura mais natural não foram feitas transcrições ao pé da letra. Seguem, portanto, extratos do "Paradoxa Stoicorum":
(1) Estes tópicos são chamados de paradoxos porque são notáveis e contrários à opinião dos homens. Mas são de longe os mais verdadeiros.
(2) Esses que acham que as coisas boas e desejáveis são tesouros, mansões magníficas, poder, prazeres, nunca estão satisfeitos. São atormentados não só por buscar sempre mais, como têm medo de perder o que possuem.
A razão certa sempre terá mais peso para mim que a opinião da multidão.
Vocês acham, então, que os nossos antepassados, que nos legaram esse império fundado em um sistema tão nobre (República Romana), estavam pensando em gratificação em dinheiro, iguarias deliciosas, luxúria, pompa e prazeres nas festas?
(3) O homem virtuoso não é destituído de uma vida feliz. Marcus Regulus, embora tenha sido capturado e torturado pelos cartagineses, não perdeu sua magnanimidade, nem a força da sua autoridade, nem a honra, nem a coragem. Um homem que é totalmente consistente em si mesmo só pode ser feliz.
Mas aqueles cujos esquemas e esperanças dependem da fortuna, esses nunca têm certeza de coisa alguma. Homens assim podem ser aterrorizados por quem os capture. A morte é terrível para quem acha que tudo se extingue com a vida; mas a morte não é terrível para aqueles cuja glória é imortal.
Nenhum homem pode ser feliz se é corrupto, bobo ou indolente; e nenhum homem pode ser desgraçado se é virtuoso, corajoso, honesto.
(4) Que você seja rico então; mas se, na sua fome por dinheiro, você acha que nenhuma origem de lucro é má, se você todo o dia trapaceia, engana, se sente sequioso, saqueia, rouba dos aliados, saqueia o tesouro, se está sempre esperando benesses dos amigos ou até forjando isso: essas práticas são de alguém rico ou necessitado?
(1) Paradoxos endereçados a Marcus Brutus
(2) Paradoxo I – Que a Virtude é o Único Bem
(3) Paradoxo II – O Homem Virtuoso Não é Destituído dos Requisitos de uma Vida Feliz
(4) Paradoxo VI – Só o Homem Sábio é Rico
sábado, 16 de dezembro de 2017
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2 comentários:
Diria que esta foi uma bem sucedida "pescaria". Um achado oportuno para a época em que vivemos e para nossas reflexões de final de ano. E que logremos dar poder através de nossos votos no ano que entra a um número significativo de políticos que estejam linhados a estes pensamentos.
No Bhagavad Gita, quarta lição, Krishna afirma que só a sabedoria, baseada no conhecimento, é capaz de proporcionar felicidade. Acho que esses caras sabiam de tudo.
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