segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Crescimento econômico ou sobriedade primeiro?

Mujica e Pierre Rabhi vivem de acordo com seus discursos: vivem frugalmente. Pregam a inviabilidade de continuar a “crescer”; a impossibilidade de “progredir” no sentido em que temos caminhado: mais energia, mais automóveis, mais geladeiras, mais gente, mais casas... Pierre Rabhi é um camponês algeriano que vê o crescimento econômico como problema e não como solução. Acredita que assim vamos freneticamente nos desligando dos fundamentos da vida.

Realmente, parece que o básico da vida, as noções essenciais, vão sendo esquecidas. Vai aqui um exemplo: caminhando com a minha neta – uma pernambucaninha de 13 anos - acabei parando em uma barraquinha e pedindo uma água de coco. Ela preferiu água mineral. Quando terminei de beber, pedi que o vendedor abrisse o coco e fizesse uma colher:
- Abrir o coco para quê?
- Para comer a laminha...
- Que é isso? Você come isso? Usa essa lasca como colher?

Em vez disso, água mineral. Não há mais diversidade. Tudo é mercado de massa. As barracas de Boa Viagem têm arquitetura de Dubai. Os assuntos que “interessam” à massa são meia dúzia.

A verdade é que esse progresso não tem cumprido a promessa de nos libertar. Ainda que máquinas fabulosas estejam fazendo o trabalho que os homens antes faziam – paradoxalmente – a ociosidade vem produzindo o pior dos mundos. O dinheiro passou a dar direito a tudo: não há limites. Convive-se com a inquietude e com as drogas, sejam legais ou ilegais. Haja ansiolíticos. Por qual razão não estamos aproveitando o imenso benefício que as maravilhas da tecnologia põem a nosso dispor? Para onde nos conduz um crescimento alucinado, drogado?

Vemos gritos por justiça, por inclusão, por igualdade. Contudo, a Justiça não parece possível se, antes, não cultivarmos outras três virtudes clássicas: a Coragem, o Conhecimento e, sobretudo, a Temperança. É que não se fala mais dessa última virtude; da moderação, da sobriedade, da parcimônia, da frugalidade.

A sobriedade, a parcimônia, deveriam ser ensinadas nas famílias, nas escolas. Realmente, parece muito difícil que venhamos a ter Justiça em um mundo que não valoriza a moderação... A temperança põe limites aos desejos, a temperança vai contra a ostentação como valor.

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