“Free riders” é como os economistas chamam os "espertinhos"; mais especificamente, as pessoas que se beneficiam de uma situação sem terem contribuído para ela, sem terem colaborado. Por exemplo, vizinhos se cotizam para melhorar a pavimentação de uma estrada. Um deles não paga. Não paga, mas, apesar disso, não há como impedir que ele, depois, usufrua da estrada consertada. Vai ser um “free rider”. Vai andar de graça.
Não é novidade: quando a colaboração não é obrigatória, poucos contribuem. Uma fábula milenar (Esopo) conta que uns passarinhos resolveram fazer o ninho em uma plantação de trigo. E os filhotes nasceram ali. Um dia, tempos depois, ouviram alguém se aproximar. Era um homem, e falava consigo mesmo, resmungava, repetindo que estava na hora da colheita. Dizia isso meio alto e dizia também que iria chamar os vizinhos para ajudarem. Os filhotes então ficaram nervosos e, olhando para a mãe, disseram afobados: “Vamos sair daqui! Vão colher o trigo!”. Mas ela respondeu tranqüila: “Calma! Ele pensa que os vizinhos vão ajudar. Temos muito tempo ainda, até que ele se convença de que vai ter que colher o trigo por conta própria.”.
Então, não deveria surpreender muito o fato de quase ninguém dedicar seu tempo, seu trabalho, ou seu dinheiro às coisas compartilhadas. Basta dar uma olhada na lista de freqüência das reuniões de condomínio para que se tenha uma boa noção disso. Aliás, antes, os síndicos trabalhavam de graça: hoje, a maioria é remunerada de alguma forma. As coisas só funcionam se tiverem uma lógica de mercado. Ou sob as penas da lei. Se não fosse a lei, muitos nunca pagariam suas taxas de condomínio.
A mesma coisa acontece com a contribuição sindical que, aliás, não é obrigatória em muitos países. Por essa razão, um exemplo clássico de “free rider” é o sujeito não sindicalizado que se beneficia das conquistas sindicais. Hoje, é perfeitamente legal ser "espertinho" em muitas situações.
A conclusão a que se chega, olhando daqui, é que talvez fizesse sentido uma “lei anti-espertinho”. A idéia é simples: se muitos trabalharam ou pagaram para terem melhorias, os demais beneficiados estariam obrigados – por lei - a contribuírem de maneira equivalente, como se fossem todos condôminos. Assim, quem sabe, até o Ministério Público, eventualmente, poderia acionar os "espertinhos".
Mas, lei é coisa traiçoeira: sempre pode ser usada para o mal. Cada caso tem sua singularidade... Falta amadurecer. Enfim, essas Ruminações podem ser só um passatempo. Se você tem um tempinho sobrando e quer opinar sobre isso, basta clicar em “comentário”, na linha abaixo. Quem sabe, despretensiosamente, acabamos enquadrando os “free riders”.
domingo, 21 de outubro de 2012
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Um comentário:
O pior dano que esses free riders / carrapatos podem fazer é desistimular que o benefício seja realizado. Passei pela experiência de criar uma segurança para um bairro em que apenas 70% das casas aderiram. Com o diálogo e a permanente divulgação de quem estava efetivamente contribuindo o percentual aumentou para 90% ...
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