quarta-feira, 13 de julho de 2011
A LÓGICA DA CORRERIA
O que vai escrito aqui não pretende causar sensação; nem mesmo trazer novidade. Trata-se apenas de recapitular, de descrever. Como foi mesmo que passamos de um mundo lento para um mundo rápido?
O fato é que usamos os avanços da tecnologia, (principalmente da informação e da comunicação), para acelerar os acontecimentos, para apressar tudo. Em vez de acalmar, o progresso parece que veio para afobar. Escolhemos assim. Não se pode culpar o Porsche pelo excesso de velocidade, culpa-se o motorista.
Alguém decidiu correr. Há muitos anos, nos treinamentos para executivos, contavam-se casos para mostrar que a razão deve desconfiar de si mesma. O absurdo acontece com muita freqüência, contrariando o que parecia ser um conhecimento certo. E havia a história do menino que - graças à própria ignorância - salvou o colega de morrer afogado: quebrou uma camada de gelo sobre um lago, camada essa tão grossa que teoricamente não se poderia quebrar. Quebrou porque não sabia que era impossível. Bateu com a lâmina dos patins como um louco, até fazer um buraco, por onde o amigo saiu.
Na mesma linha contavam também, por exemplo, uma experiência que haviam feito, primeiro pondo abelhas dentro de uma garrafa. Depois, em vez das abelhas, foram moscas. O fundo ficava voltado para a claridade, enquanto o gargalo ficava no escuro. As abelhas – animais inteligentes, engenhosos – não conseguiam sair, porque insistiam em voar em direção à claridade e ficavam batendo-se contra o vidro. Já as moscas – em vôos absolutamente caóticos – acabavam por encontrar o gargalo, mesmo estando no escuro, e escapavam por ele. Escapavam porque não pensaram: agiram. A lição era essa: não pense, aja!
Parece que essa lição foi aprendida; não só pelos executivos, como pela população toda. Quem ganha um celular novo não lê o manual: vai cutucando. Aprende por tentativa e erro. Os manuais já nem explicam direito mesmo, talvez porque o fabricante saiba que ninguém acha tempo para leituras demoradas. Hoje, a maioria das pessoas não se interessa por saber a razão das coisas; nem tampouco em conhecer a lógica que relaciona um fato com outro.
Criam assim uma nova realidade e se preparam para ela. Antes, os adolescentes jogavam xadrez. Hoje jogam vídeo game. Todos os textos que tenho visto na Internet instigam os leitores a viverem o presente. Naturalmente então – dentro dessa nova razão – a pressa se estabelece. As pessoas correm cada vez mais, para fazerem mais tentativas.
Desse jeito, se a lógica da pressa não espera, não há esperança. Em outras palavras, há um esvaziamento espiritual inerente a essa correria toda. Fica faltando construir um sentido para tudo isso. Não é assim?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Gostei muito deste seu texto, traduz tudo que eu penso, a pressa esta inserida em todos os atos no momento, fico impressionada , porque não consigo entender essa pressa..essa "economia' de tempo..para que? para ser usado no que, esse tempo? O que tenho observado, e que as pessoas não sabem nem querem saber porque estão correndo! na verdade não tem "tempo" para pensar e analisar o porque dessa pressa insana que não leva a lugar algum!
Postar um comentário