domingo, 6 de fevereiro de 2011
EDUCAR COM QUAL PROPÓSITO?
Trata-se da educação pretendida pelos governos... Estão educando para quê? Em geral, a julgar pelo que declaram oficialmente, entendem que se deva educar para vencer uma competição que hoje é globalizada...
Nessa linha, os países desenvolvidos congregados na OECD resolveram que algumas disciplinas – leitura, matemática e ciências – resumem bem a fundamentação mínima para que se tenha possibilidade de estar no mercado. Alguma razão eles têm, porque é mesmo difícil sobreviver sem entender o que está escrito, sem saber calcular e sem conhecer sobre o funcionamento das coisas.
Então - para avaliar estudantes de diversas partes do mundo em relação a essas habilidades básicas - a OECD conduziu um teste em 2009. Resultou que China, Coréia do Sul, Finlândia, Cingapura, Canadá, Nova Zelândia, Japão e Austrália estão no topo, isto é, são, pela ordem, os países que melhor preparam os jovens.
Por outro lado, os sites oficiais da ONU e da União Européia na Internet propõem mais para a educação. Não acham que se deva educar só para competir. Assim se percebe que, individualmente, os países têm objetivos mais estreitos do que a União Européia; e que a ONU tem a proposta mais abrangente.
A União Européia posiciona-se oficialmente considerando a educação não só como um valor para a economia, mas também como fator essencial para a coesão social e cultural. Transparece sua preocupação em educar para evitar que a competição cause atrito. Aliás, sendo constituída por países tão diferentes, é natural que se preocupe em manter amistosa a convivência entre eles.
Já a ONU, olhando para um cenário ainda mais amplo que a União Européia, entende que é preciso educar para conseguir um futuro sustentável. E a própria ONU conclui que esse futuro sustentável só se conseguiria se, antes de tudo, as pessoas compreendessem; se compreendessem a interdependência que existe entre a Natureza, a Política, a Economia e a Cultura; tanto em âmbito local, quanto nacional ou global. Para haver o futuro desejado, a ONU entende que os cidadãos devam ter consciência das implicações de suas decisões nessas várias esferas.
No entanto, compreender o mundo não parece fácil. Tudo são particularidades. Por exemplo, na China, um mundo à parte, há uma singularidade interessante: o Partido Comunista governa através do Politburo que, por sua vez, é regido por um Comitê constituído por nove membros. Pois bem, essas nove pessoas que, em termos práticos, conduzem a China, são engenheiros, com a exceção só de um deles. Esse único destoante é Phd em economia. Não há como negar que a situação atual da China – formidável - surgiu sob uma forte influência da engenharia...
Enfim, em outras palavras, fica claro que, dependendo da amplitude e circunstâncias de suas responsabilidades, as autoridades põem objetivos diferentes para a educação. Quem se preocupa apenas com a sua cidade educa diferente de quem tem preocupações com o mundo todo. Aliás, não surpreende que seja assim. Por exemplo, a própria ONU (UNESCO), para o Brasil em particular, concentra-se muito especificamente na necessidade de educar as mulheres.
Então – olhando daqui do Sítio – parece que cabe só uma nota, sobre as limitações de tudo isso. Faltou, quem sabe, preocupar-se em educar para a honestidade. Há 2400 anos Platão tratou disso – de educar para honestidade - (A República; 424 a-e); e não parece que a honestidade deva deixar de fazer parte da educação, embora a honestidade não esteja na categoria das “habilidades”. Talvez o ensino da honestidade esteja no terreno das doutrinas.
Mas, concluindo, também não parece aceitável tomar a honestidade como doutrina. Assim, importa essencialmente na educação uma sutileza que vai além das habilidades e escapa das doutrinas. A honestidade, enfim, talvez se reflita mesmo no gênero musical: “É que nunca se abalam os gêneros musicais sem abalar as mais altas leis da cidade”. Se é assim, os encarregados da educação de alguma forma estão tratando da música; e talvez não se dêem conta disso. Platão concluiu assim, e esta ruminação também.
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