terça-feira, 1 de junho de 2010
Contradições obrigatórias
O vídeo por si só bastaria. Mostrava o Lula – que se contradizia em trechos recortados, ora apoiando, ora denunciando o Sarney.
O título do vídeo era “Canalha”. E o texto do e-mail vinha xingando mais. Eram aditivos ao “Canalha”, porque os títulos dos vídeos são curtos e, tudo indica, o caso exigiu um xingamento complementar.
Contudo, analisando melhor, o vídeo mostra mais do que se vê à primeira vista. Para ver mais coisas nas contradições do Lula vamos, temporariamente, examinar outra contradição, que aconteceu em um programa de auditório, do Ratinho.
Primeiro, um pastor falou contra a nova legislação, que protege o relacionamento homossexual. Se dois gays - o pastor disse - começassem a se beijar na igreja, ele não poderia interromper: seria processado por danos morais, por discriminação... Se, no entanto, advertisse um casal heterossexual, não seria nem mesmo criticado. Assim ficava evidente, com esse exemplo, que haviam conferido aos gays mais direitos que aos heterossexuais. Gesticulando furioso, o pastor praticamente mandou para o inferno essa lei, que dava privilégios ao pecado. O auditório aplaudiu entusiasticamente.
Depois, veio a autora da lei. Disse o contrário. Desancou o pastor, fez pouco de sua mentalidade, disse que era retrógrada; e também foi aplaudida entusiasticamente...
Em resumo, esse auditório – e os eleitores não são muito diferentes - aplaude deus e o diabo com igual empenho. Um povo assim, incoerente, exige incoerência. Está no espírito da democracia representativa. O absurdo é obrigatório; é exigido pela lei.
A política não faz, apenas permite que se faça. Em uma democracia representativa, o político não pode obrigar a população a ser o que não é. O vídeo mostra isso também. Estamos em uma democracia paradoxal.
Um outro fato, que foi muito contado na família, ilustra por contraste. Deu-se em outro ambiente, não-democrático. O meu avô era militar e comandava um destacamento na fronteira do Paraguai. E havia lá um sargento que batia na mulher. E ela gritava muito durante a noite, de modo que não se conseguia dormir. Farto disso, o meu avô mandou prender o sargento. Uma semana encarcerado. Acontece que, não demorou muito, e apareceu a mulher: queria falar com o comandante. Queria que soltasse o seu marido. “Mas ele bate na senhora”, o meu avô argumentou. E ela reagiu: “Eu sou mulher dele e ele bate quanto quiser”. Foi presa também. Em outra cela. Democracia zero!
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2 comentários:
Não posso dizer que não me enamorei do "democracia zero". Meus filhos são prova viva de que muitas vezes em casa foi assim, pelo bem de todos e aporrinhação minha! Mas no caso de adultos votantes, acredito que primeiro há que haver o voto facultativo. Assim como há a religião, ou falta dela - no meu caso- facultativa. E a preferência sexual, nem tão facultativa, mas com exposição facultativa. Depois disso a gente discute em que cada um acredita. Se a ditadura já se encontra no princípio da coisa, não há de haver democracia no fim...
Libertar ñ é um verbo que se conjuga no imperativo.Seja democrata!Seja coerente!A visão de democracia pode parecer diferente para uns,do que literalmente no seu significado!O que propicia as contradições!Dependendo das situações,da nossa moral,gostos modo de vida,posso estar mais voltada para essa ou outra situação que para os ideais democráticos pode parecer atitudes autoritárias!Quando você relata em seu textos xingamentos de Lula ao Sarney e hoje os dois estão de braços dados lá em Brasília,demonstra que a democracia ñ abriu as portas para a liberdade total do povo e sim para se conseguir interesses políticos que fica encoberto com no conceito de LIBERDADE",assim como é encima é embaixo!Utilizamos essas contradições em nosso cotidiano também.
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