sexta-feira, 14 de setembro de 2012

MINHA NETA E OS PERSAS

A prova era de história; cairia Ciro II. Achei que Ciro II ficava meio distante de uma menina de 10 anos e então, para ajudar a minha neta, Luluca, fui ler uns livros velhos sobre o assunto, comprados pelo meu pai em 1946 (Will Durant). E o Toynbee. Talvez lendo, conhecendo mais detalhes, eu pudesse trazer movimento, vida, e então tornasse a Pérsia de 550 anos antes de Cristo mais interessante.
Comecei procurando saber sobre as coisas que aconteceram. Depois, os fatos foram-se amontoando, ou talvez se espalhando, perdendo o sentido, de modo que ficou faltando um significado maior para tudo aquilo. Assim é que, naturalmente, as crenças persas começaram a me interessar mais. E também a Luluca quis saber sobre a mentalidade daquele povo antigo, que então, mais ou menos, seguia Zoroastro.
Presumivelmente o zoroastrismo tinha uma forte relação com a ética. Tudo o que chegou até nós através dos séculos leva a concluir que tinham uma ética talvez mais avançada que a nossa. Segundo o Livro Sagrado deles, o Avesta, havia três normas morais:
Faça de seu inimigo um amigo; faça do injusto, um justo; faça do ignorante uma pessoa instruída.
Essa primeira orientação moral, fazer do inimigo um amigo, induz mesmo a uma política assim, que já buscava concórdia na discórdia. Ficamos surpresos, a Luluca e eu, ao vermos que, há 2550 anos, já um povo inteiro se dava conta de que pode haver harmonia com dissonâncias.
O livro escolar da Luluca retrata a Pérsia como um império bem-vindo. As cidades, em muitos casos, sentiam alívio ao serem conquistadas por uma gente que lhes dava uma vida melhor do que seus próprios conterrâneos lhes vinham dando.
A segunda regra moral do zoroastrismo – fazer com que o injusto se torne justo – é outro chamado à conciliação. A justiça é que pode apaziguar as contradições que os homens e as instituições trazem dentro de si.
Finalmente, a terceira regra moral – instruir os ignorantes – liga-se também com as regras anteriores. As três regras convergem. A instrução é pré-requisito para que as pessoas possam compreender a si mesmos e aos outros. Ecoa lá longe a nossa atual preocupação com a educação. Há 2550 anos os persas reconheciam uma prioridade que redescobrimos recentemente.
Ainda preciso ouvir mais a Luluca para saber exatamente o que podemos concluir de tudo isso...

Um comentário:

Ana del Pilar disse...

Também achei interessante, e confesso desconhecia...com certeza vale meditar...