sábado, 20 de agosto de 2011

IMPRESSÃO DE DEMOCRACIA

Em uma democracia representativa cabe aos políticos governar. Mas, para compreender melhor a questão que se põe aqui, vamos imaginar que eles não fossem necessários; vamos imaginar que pudéssemos voltar a ter uma democracia clássica, uma democracia direta: cada um falando por si, sem a intermediação de representantes.
Assim - sem a figura dos políticos - fica mais fácil perceber que a democracia exige vontade e capacidade do cidadão. Em uma democracia de verdade a solução dos problemas comuns é assunto de conversas comuns. A democracia exige um trabalho do cidadão, exige que trate de assuntos públicos. E o cidadão capaz que não participa, assemelha-se ao ladrão que pretende colher os frutos do trabalho alheio.
A democracia representativa, por ser ainda uma democracia, embora exercida por procuração, continua a exigir do cidadão vontade, capacidade e trabalho.
Concluindo, se não é o povo que manda, se o povo foge dessa responsabilidade, a democracia perde a consistência. Para a democracia fazer sentido é preciso que o povo tenha a vontade e a capacidade de cumprir os deveres que cabem a um governo.
No caso em que a população é omissa – quando falta vontade ou capacidade ao povo - os políticos obviamente ocupam o vazio e dão a impressão de que há uma democracia funcionando. Resta ao povo assumir o papel que escolheu: lamentar-se, acusando os políticos. E os políticos passam mesmo a serem os culpados. Bodes expiatórios caríssimos.

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