sábado, 28 de novembro de 2009

PARTIDARISMO, O INIMIGO HABITUAL E A FARTURA

“Danem-se os seus princípios! Fique com o seu partido.” (Disraeli, estadista conservador inglês 1804 - 1881).
Os outros são adversários. Aprendemos assim. O caminho conhecido é juntar um grupo e ir contra os outros. E funciona, parece: isso organiza a sociedade. As empresas funcionam assim, as igrejas também: é a minha empresa contra a sua, a minha igreja contra sua. Os países se dispõem dessa mesma forma: o meu contra o seu. Quase tudo se fundamenta na discórdia entre os grupos; funcionamos na base do desacordo automático.
É quase instintivo. A noção que preside a tudo isso é a da escassez: o que existe não é suficiente para todo o mundo.
Como conseqüência, talvez, times de futebol, partidos políticos, grupinhos no colégio ou no trabalho, consolidam uma ética de fidelidade ao grupo acima de tudo: “Danem-se os seus princípios! Fique com o seu partido”. E os chefes são escolhidos.
Tudo funciona, mas só dentro do grupo. Como regra geral, uma questão que não afete o grupo não é considerada. Problema deles. A raça humana conhece um truque só: nós contra eles.
A realidade fora dos grupos não interessava. Agora, no entanto, parece que o meio ambiente, por exemplo, vai além do grupo. As finanças também. Aliás, sempre soubemos disso. Mas fomos treinados para outra coisa. Embora a idéia de associação, de trabalhar junto, existisse, só nos associamos contra um inimigo. Sem um inimigo comum, brigamos uns contra os outros, não nos unimos.
O problema é que a idéia de trabalhar em conjunto com outro grupo é, de fato, perigosa: eles podem simplesmente invadir, matar, como sempre aconteceu. Aprendemos isso. Sempre foi assim. Treinamos isso nos esportes. Só um vai ser vitorioso, o outro vai perder. Combinar um empate é muito mal visto...
A novidade é que a idéia de constituir um grupo para vencer o outro agora não resolve mais. Se colaborar é perigoso, não colaborar também é. Há muitos grupos fortes o bastante para causarem um estrago enorme se não forem levados em conta. Não é só a minha igreja contra a sua, a minha empresa contra a sua, o meu time contra o seu: existem muito mais igrejas, empresas e times do que imaginávamos.
E agora? Há escassez de quê? A fartura é solução ou problema? Precisamos vencer quem mesmo?

2 comentários:

Jan Trindade disse...

Muito bom.

Leninha disse...

Quem contra quem?Vivemos numa sociedade competitiva!Fidelidade neste sistema ñ existe!Ter é melhor do que ser!Criamos assim um ser humano competitivo e cada um que ser melhor do que o outro!O homem passou de Sapiens para Tecnologicus!Só vence o melhor,ou seja as sociedades desenvolvidas dominam as menos desenvolvidas!Mas é no Caos estamos reaprendendo a tornar o mundo menos competitivo e mais solidários,voltando as caracteristicas humanas mais éticas.Está surgindo uma sociedade mais voltada para o respeito e os limites dos outros!Que é o Homem do futuro ,o noeticus!