sexta-feira, 7 de agosto de 2009

LIVRANDO-SE DO COLETIVO

Aparentemente, em todo o mundo, se passou a crer que os problemas coletivos são só uma questão de dinheiro. O dinheiro é então o meio pelo qual a Autoridade pode resolver tudo. Se não tem equipe, compra uma. Quando alguma coisa não funciona, ou não se realiza, é porque falta dinheiro. E, de repente, nos damos conta de que muita coisa simples agora custa muito caro.
Temos fé no dinheiro, mas temos ainda uma outra crença firme: acreditamos em designar alguém para resolver tudo. Assim, para dar conta das questões coletivas, normalmente elegemos uma espécie de deus – que vai receber dinheiro arrecadado. E é esse dinheiro – coletado – que lhe vai conferir poderes sobrenaturais. Assim, com essa lógica, nos julgamos todos livres de qualquer responsabilidade. Ninguém precisa mais cuidar disso; todos estão livres para cuidarem exclusivamente do que é seu. A coisa coletiva fica entregue a um deus recém-empossado...
Para o bem ou para o mal, a Autoridade se vê sozinha diante de um mundo; os imprevistos se sucedem, as circunstâncias mudam. E o desinteresse, a apatia geral, têm um efeito devastador.
É óbvio. No entanto, como neste caso o óbvio não dá lucro contábil, não é anunciado. Aparece só aqui no blog.

Nenhum comentário: