sábado, 22 de novembro de 2008

POR CONTA DA ÉTICA

Em algumas atividades o sujeito não escapa de um conflito ético latente: joga contra, mas secretamente torce a favor. Luta contra o inimigo, mas, afinal, depende dele. Um exemplo explica isso melhor: quanto mais doente for a população, mais ganha a indústria farmacêutica, mais mercado há para os médicos. Se todo o mundo tivesse saúde, essa turma morreria de fome.
E a indústria de seguros precisa de que haja roubos de carros.
E a indústria de defensivos agrícolas também: cresce junto com as pragas.
E, se não houvesse crime, não se precisaria de polícia.
E quanto mais briga houver, mais os advogados ganham.
Então, se o mundo virasse um paraíso, para muita gente seria um inferno...
Além desse tipo de atividade - que se nutre da desgraça - há um outro tipo de sistema malvado, um pouco diferente: são atividades em que terceiros pagam o pato... Faculdades pagas, por exemplo: o aluno paga e é aprovado. Assim, distribuindo diplomas para todo o mundo, lucra o dono, saem felizes os alunos. E então aparecem advogados que não conhecem a lei, engenheiros que não conhecem a física. Sai feliz o profissional incompetente, sai feliz o dono da faculdade e o resto que se lixe.
Fica claro que, para todos esses casos, e tantos outros semelhantes, as conseqüências provêm da ética e não do mercado. Hoje o mercado está em crise: percebeu que não pode tudo. Deu-se conta de que a ética, que parecia não servir para nada, regula tudo o que há de prático nesta vida.

Um comentário:

Unknown disse...

Marcos Vc está coberto de razão.

Um abraço, Mauricio Castro